Vital Brasil, Centro Cultural São Paulo

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Gambiarra

A série de trabalhos de Thiago Bortolozzo intitulada “Vital Brasil” já assumiu diversas formas e procedimentos.Em uma de suas feições , o artista empilhava caixas mal feitas e desproporcionasi de madeirite no canto da sala.Tal pilha se portava como uma delgada coluna, encaixando volumes distintos e mesmo desproporcionais. O resultado era meio desajeitado e bambo. Por fim, tais estruturas tendiam para parede, escorando se nela. Quando o peso pendia, era difícil determinar quem se apoiava em quem.Na mesma medida em que a coluna caía no canto da sala, o cômodo parecia amolecer e se apoiar na mesma coluna. Um se encostava no outro, corpos igualmente frágeis tentando se sustentar mutuamente, talvez como dois bêbados que se equilibram depois de uma noite animada. O trabalho de Bortolozzo tende para o chão, numa ambivalência da insegurança.

Quando o artista aumenta a escala destas intervenções, tal dubiedade tende a crescer também. Aqui o artista junta folhas de madeirite acompanhando o desenho arquitetônico dos prédios. Eles atuam sobre as vigas as colunas e outras estruturas revestindo-as completamente.

O espaço estável e bem contornado do prédio parece tremer no que possuía de mais sólido. O traçado quebradiço daquele tapume acaba emprestando certa insegurança ao lugar. A obra de arte deixa de se realizar na relação entre escultura e seu entorno, e se estende para toda a relação do espectador com o prédio. Esta definição começa no próprio movimento que o artista faz da viga até o chão. Não se pode dizer que esta peça esteja apoiada, muito menos que ela sustente a estrutura de ferro. Embora este movimento do teto para o chão, a força da peça garante uma impressão de sustentação.Essa correlação de forças sugere um espaço em obras, como o da construção civil.Nada esta pronto. O local parece incompleto, prestes a desabar ou a se refazer. Tanto que a marquise sai de fora  e vem para dentro, e o que é estável parece desmentido.

Tal indeterminação tem algo do território arriscado derivado da crítica moderna ao espaço perspectivo.Um lugar aberto, avesso as proposiçoes fixas e ilusões mais explicitas e que, portanto, pode ser angustiante.

O ato de Bortolozzo não retira a instabilidade deste olhar. Procura um equilíbrio efêmero inconcluso, como nas gambiarras da vida social brasileira, que tentam assegurar a ela uma estabilidade, mesmo que, da próxima vez, a vida responda com maior violência.

Tiago Mesquita 2002

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