Assolamentos 2000/03

Texto, Daniela Maura, exposição Assolamentos, Paço das artes 
“A cidade sou eu sou eu a cidade”. Carlos Drummond Andrade

São Paulo Tem sido representada, desde antes de sua urbanização, por várias expressões artísticas. Hoje, essa metrópole inspira a produção de diversos jovens artistas – especialmente aqueles que desenvolvem poéticas no âmbito da fotografia. Alguns mostram a paisagem paulistana tal como era no século XIX lado a lado com sua paisagem atual. Outros a retratam revelando a beleza de suas ruas iluminadas repletas de vitrines.Ainda há quem se atenha ás transformações diárias que sofre essa São Paulo, sob o ponto de vista arquitetônico – esse é o caso de Thiago Bortolozzo.

Bortolozzo elege a arquitetura presente em seu trajeto cotidiano como fonte de questionamento. Na série Assolamentos que vem desenvolvendo desde 1999, parte da idéia de rua assolada por crateras e infiltrações  para criar uma cratera simbólica que abra espaço á percepção do espectador.

Ás vezes apenas a luz, a parede e o chão são elementos suficientes para compor a fotografia. O foco está na luz fria, que combinada á luz natural e ao flash da câmera altera a cor branca da parede que ganha tonalidade amarelada. Aparentemente uma cena corriqueira, mas um olhar mais atento reconhece – nessa fotografia de estrutura tão simples-o espaço expositivo de um museu.

Em outras, figuram os tijolos e o cimento aparentes em construções de casas, algumas localizadas no interior de São Paulo, em contraste com o azul intenso do céu. Cabe ressaltar que Bortolozzo espera para fotografar em dias de céu aberto para captar a paisagem que lhe interessa ao mesmo tempo em que se arrisca a perdê-la: no intervalo gerado pela espera a casa termina de ser construída, ou seja, mascara o material outrora aparente e transforma a paisagem.

A iconografia da São Paulo retratada pelo artista,  integra ainda, a sinalização e os portões de garagens e estacionamentos, elementos estes que passam a representar as rotas e fluxos da metrópole.

Esses fluxos e o caráter transitório da paisagem, refletem sobre o lugar do cidadão contemporâneo em relação ao espaço urbano enquanto fragmentos sintéticos de uma metrópole incontida, absorvente.

Foto contemporânea Sao Paulo

Fabris, Annateresa. O espetáculo da rua. In fragmentos Urbanos:representações culturais.São Paulo: Studio Nobel, 2000,p.73

 

 

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