Anjo negro, Intervenção cenográfica

 

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Anjo Negro de Nelson Rodrigues, com a lembrança de uma revolução A missão de Heiner Muller, com adaptação e direção de Frank Castorf.

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O texto Anjo Negro de Nelson Rodrigues se transformou, quando o diretor Frank Castorf incorporou Heiner Muller ‘A missão. A síntese gerou um espetáculo teatral cheio de surpresas e discursos, onde a violência e ódio são os óleos desta grande engrenagem teatral.

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Com cenário desenvolvido por Thiago Bortolozzo, em parceria com Arianne Vitale e Renato Bolleli figurinos, o texto e a ação dos atores ganham em força e potência, gerando momentos de extremos.

No início da peça, toda a boca de cena é fechada por um grande muro de madeirits e o palco é prolongado com os mesmo madeirits vindo parar na frente do público, gerando uma forte embate entre público e atores. Ocultando todo o teatro com este grande muro, são projetadas imagens do que acontece atrás deste muro, onde existen um bar no estilo drink no inferno, como mesa de striper, uma banca de revista, e uma quarto da protagonista Virginia.

Cena após cena este grande muro vai sendo derrubado pelos atores e começa a revelar-se o que esta por trás desta parede, com um incrível jogo entre vídeo, atores e imagens. É  impressionante como esta conjunção de fatores como vídeo, instalação e ação dos atores geram momentos de força e grandiosidade para o espetaculo teatral de Frank Castorf.

 

O texto de Nelson Rodrigues discute e coloca em questão a pele negra e suas complicações em um país como Brasil “sem preconceito e sem racismo”, através deste diretor não menos polêmico, diretor do teatro do Povo Volksbhüne em Berlin Frank Castorf.

Nelson Rodrigues é sem duvida um dos dramaturgos mais instigantes e incomuns de nosso continente, sua crítica aos costumes, seus desnudamentos dos preconceitos o torna universal, compreensível inclusive para os alemães. Nessa simbiose de culturas e de valores encontra-se a peça Anjo negro de Frank Castorf.

 

O ódio é o que une Virginia e Ismael, os dois protagonistas deste “Anjo Negro”. Ele solda mais estreitamente do que o amor. O ódio puro, honesto. Ismael é medico, e não se sente bem na sua própria pele e estupra Virginia dia após dia, sem cessar. Ele a encerrou em sua casa, que parece mais uma fortaleza. Aqui ela pare e mata os seus filhos, um após o outro. Finalmente após o terceiro infanticídio, ela seduz o irmão de criação de Ismael, o cego Elias para depois oferecê-lo em sacrifício, como preço de poder dar a luz a sua filha. Com o sangue do salvador ela paga a sua saída desse circulo diabólico. Mas Ismael cega a filha bastarda, a filha da mulher com seu irmão de criação e a transforma sem sua própria amante, que não devera ter nenhum outro homem em sua vida a não ser ele, e a quem ensina a odiar sua mãe.

 

Assista o video de Dario José 3 min

Nelson Rodrigues que estava a caminho de se tonar o dramaturgo brasileiro que causaria mais escândalo, que mais repercussão teria em nível nacional, que viria a ser o espelho perverso da alma da brasileira, quisesse escrever com Anjo Negro apenas mais uma peça sob medida para o ator amigo seu Abdias do Nascimento.

Embora a escravidão tivesse sido abolida no Brasil apenas em 1888 (ocasião em que não foram indenizados os negros mais sim os brancos) o Brasil da década de 40 do século vinte era considerado um país totalmente isento de preconceitos raciais, com uma sociedade onde reinava a igualdade racial.

Isso não impediu, contudo que quando da estréia da peça o teatro Municipal do Rio de Janeiro se recusasse a deixar um ator interpretar o papel de Ismael, impondo que este fosse assumido por um ator branco, maquiado de negro.

Em toda parte o racismo é um fenômeno tanto social quanto psicológico. Um fruto da desigualdade.

 

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